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Galero

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chapeuNa heráldica o chapéu eclesiástico, também conhecido como galero ou capelo, é o ornamento externo mais usado para indicar o grau de dignidade, chancelando o escudo dos prelados com o chapéu que no lugar do elmo e/ou coroa.

Moroni (Dizionario di Erudizione Storico-Ecclesiastica, Venezia MDCCCLIV.), falando dos chapéus prelatícios, afirma que em 1245, no curso do Concílio de Lião, o papa Inocêncio IV (1243-1254) concede aos cardeais um chapéu vermelho, quase particular distintivo de honra e de reconhecimento entre os altos prelados, para usarem na cavalgada da cidade. A prescrição de vermelho para que vigilantes estejam sempre prontos a derramarem o próprio sangue para defender a liberdade da Igreja e do povo cristão. Por este motivo, desde o século XIV os cardeais timbram os escudos deles com um chapéu vermelho, ornamentado de cordões e de borlas da mesma cor.

Papa Bento XVI com o chapéu prelatício

Papa Bento XVI com o chapéu prelatício

Sempre Moroni acrescentava que os chapéu dos cardeais eram de quatro tipos: o primeiro, tão logo recordado, se chamava galero ou chapéus pontifícios, porque de acordo com o Sumo Pontífice; quer de tecido vermelho, com uma parte esticada muito longa e traspassada com dois cordões que terminavam com dois fios que, no início vinham dotados apenas de legados e outras duas fileiras que vinham dotadas apenas do manto, mais duas fileiras laterais que se estendiam da aba ao cume; o segundo, chamado capelão ou guarda-sol, era de seda escura, com duas fileiras laterais no cume e um outro na extremidade de dois cordões, vindo sustentado pelo mastro de câmera do cardeal, para reparar apenas o purpurado, nas procissões de canonização e em outras solenidades litúrgicas; o terceiro, chamado chapéu vermelho pequeno ou usualmente de feltro, é da forma daqueles dos eclesiásticos, sustentando os três elos feitos de ouro, e por fim o quarto, chamado chapéu negro, de feltro, na forma daquele dos outros eclesiásticos, com apenas a distinção de uma fita vermelha com enfeites em ouro, em torno do cume, usado dos cardeais quando portavam a tala preta.

O galero, que no tempo pegou a forma primitiva, resultava muito achatado e vinha consignado no novo cardeal do Sumo Pontífice, no curso do consistório público. Vinha, então, em prática usado apenas durante o funeral do purpurado e depois colocado na tumba. Na heráldica o chapéu vermelho que timbra o escudo dos cardeais aparece no início do século XIV, como se pode observar na catedral de Siena, na tumba do Cardeal Petroni, falecido em 1313. O uso era comum no século XV, com o gradual desaparecimento da mitra no brasão dos cardeais.

Papa Pio XII impondo o “galero” num Cardeal.
Papa João XXIII com o chapéu prelatício.
Cardeal Schuster, Arcebispo de Milão, com o chapéu com as borlas.
As borlas não eram definidas; assim, no tempo, podem-se observar chapéus dos cardeais com uma, duas, três, quatro ou seis borlas por lado, ao término dos cordões. O número das borlas dividem-se, de uso comum, disposto em quinze por parte, em cinco ordens de 1, 2, 3, 4 e 5 sobre o pontificado de Pio VI (1775-1779) e confirmado em 1832, com o Decreto da S. Congregação Cerimonial de 9 de fevereiro, onde se determina manter o número das borlas, a serem colocados em cada uma das duas fileiras do brasão dos eminentíssimos padres cardeais, divididos em quinze até não muitos anos atrás, sendo por todos proibido qualquer número superior a esse.

Com a Constituição Apostólica “Militatis Ecclesiae” regida em 19 de dezembro de 1644, Inocêncio X ordenou, por outro lado, que todos os Cardeais, com o escopo de construir a unidade e a igualdade do sacro colégio, removessem dos selos e de qualquer emblema deles, comumente chamados brasão, as coroas, os sinais e todos os atributos de origem secular, com exceção daqueles que são internos do escudo das milícias da família deles como parte essencial e íntegra do mesmo brasão, restando e decorados com o chapéu vermelho, resplendente da mesma cor do sangue precioso de Cristo. O galero ou chapéu dos cardeais é abolido pelo Papa Paulo VI.

Passando aos chapéus dos bispos, sempre Moroni descreve que os patriarcas, os arcebispos e os bispos, enquanto religiosos, usam dois chapéus, o comum de feltro preto na forma daqueles dos eclesiásticos, tendo sido adotados sempre que iniciado com hábito curto, o prelatício, e o semi-pontificado de seda de cor verde da forma que os cardeais, que usavam nas cavalgadas e na sacra função vestida com capa, ou manto, com cordões e fios de igual cor. Os patriarcas no chapéu preto usam os fios de seda verde com ouro, os arcebispos e bispos a simples fita e fio e seda verde.

Para resguardar o número das borlas, Moroni continua descrevendo que antigamente se usava apenas aquelas que uniam o cordão ao manto, pois vinham adotadas duas, enquanto posteriormente se acrescentou, daí porque se observa que dos dois cordões dos patriarcas, e núncios apostólicos, da dignidade episcopal, pendiam quatro por parte, contendo cada uma dez borlas, e aqueles dos arcebispos e bispos três em cada um dos dois lados, ou seja, seis borlas por cada cordão.

Descrevendo o chapéu dos prelados, Moroni observa que os prelados da Igreja Romana usam dois de cor negra, geralmente de feltro, como aqueles de todos os eclesiásticos, e o pontifical, ou semi-pontifical de tecido preto forrado de seda roxa ou cremiso, da forma daquele dos bispos, o primeiro com fita e borla de seda vermelho, roxo ou verde, de acordo com o grau, ou do colégio ao qual pertence, e o segundo com cordões similares, com borlas roxas ou místicos das mesmas cores roxa e preta, a segunda da espécie dos prelados. Recorda, enfim, que os Protonotários apostólicos participantes e numerosos com vistas ao Decreto de 17 de fevereiro de 1617 da S. Congregação dos Ritos, sobre o pontificado de Paulo V, tem a faculdade de usar o chapéu com os ornamentos roxos; paramentos dos ouvintes da Rota usam o cordão roxo no chapéu, como do breve do Sumo Pontífice Alessandro VII, emanado de 1655.

D. Colombo (futuro cardeal), Arcebispo de Milão, com o chapéu e as borlas.
Galero Cardinalício, abolido pelo Papa Paulo VI.
Presbítero com o chapéu eclesiástico.
Interessante é também reportar o que Beatiano (L’Araldo veneto overo universale armerista, Venezia MDCLXXX.) anota no seu arauto, no tocante ao universal armenista, publicado em Veneza em 1680, sempre para os chapéus eclesiásticos.

De fato, descreve que os Cardeais portam com dignidade, sobre o escudo da milícia deles, o píleo de cor vermelha com os cordões enlaçados em cinco ordens que formam cinco borlas ou fios, ou seja, isto é, um, dois, três, quatro e cinco da mesma cor para cada lado; foram estes institutos no lugar dos Senadores Romanos e representam o Poder do Rei sobre três Duques e aquela dos Primazes sobre três Arcebispos.

Os Patriarcas portam sobre seus uniformes o chapéu de cor verde, forrado de púrpura com dez borlas, por parte com a cruz em três braços; destes foram eleitos na Igreja quatro, que são o Constantinopolitano, o Antioqueno, o Alexandrino e o Gerosolimitano no lugar dos Cônsules Romanos.

Os Arcebispos, ou Metropolitanos, carregam, como sinal da dignidade deles, um chapéu verde com um cordão vermelho com dez borlas em cada lado, como os Patriarcas, e sob isso, uma cruz com dois braços. São estas semelhanças com os Duques, porque como aqueles tiveram abaixo deles muitos Condes, assim estes têm mesmo muitos Bispos.

Os Bispos tem como marca episcopal um chapéu verde acoplado a seis borlas e uma cruz com mitra e báculo, somando ao lado do escudo, os cantos daqueles; representam estes os Condes.

Os Abades trazem em sinal do seu ofício a mitra e báculo sobre o escudo das suas milícias; são estes os territórios dos Tribunais dos Soldados.

Os Primários trazem dentro do escudo um bastão a guisa de cajados com uma ponta; representando os Primazes.

Os (Cônegos) Canônicos portam sobre o escudo das milícias deles o capelão de pele escuro com um galão do mesmo jeito; estes são iguais para os Centuriões.

Giovanni Battista Montini, Arcebispo de Milão segurando o chapeú - futuro Papa Paulo VI

Giovanni Battista Montini, Arcebispo de Milão segurando o chapeú – futuro Papa Paulo VI

Os arciprestes portam sobre o escudo uma túnica branca; representando os Tribunais da plebe.

O abade Vincenzo Coronelli, no seu Brasão traduz (V. Coronelli, Blasone dello Stato Veneto, Venezia 1706.), reportando também os desenhos da dignidade eclesiástica, pelo brasão de abade “nullius”, Cardeal prevê: o chapéu vermelho com os cordões e 10 ricas borlas da mesma cor por parte, dispostas 1, 2, 3 e 4, enquanto os Patriarcas trazem o chapéu verde com cordões e 10 borlas ricas, sempre da mesma cor por partes, dispostas 1, 2, 3 e 4.

Goffredo di Crollalanza, falando dos chapéus heráldicos eclesiásticos, anota que o chapéu do abade é preto, do qual saem dois cordões, que se dividem em um só lado com um nó e três borlas, dispostos 1 e 2. Para o chapéu do arcebispo, por outro lado, ressalta que é verde, tendo os cordões dois nós e 10 borlas por parte, dispostas 1, 2, 3 e 4; que começou a ser usado no século XVI. Informa, ainda, que independente de quem portasse os cordões, estes deveriam ser entrelaçados de ouro, embora pouco usado.

Passando ao chapéu do cardeal, este é vermelho e dotado de dois longos cordões que se entrelaçam com três nós e cinco borlas de cada parte, na ordem de 1, 2, 3, 4 e 5, num total de 15 borlas por parte. Continua afirmando que no século XIV se vê chapéus de cardeais esculpidos com apenas duas borlas por lado ou, sempre no tempo, também com 12 borlas por lado dispostas 1, 1, 2, 2, 3 e 3 ou ainda em afrescos com 20 borlas, estes últimos, talvez, por ignorância material dos executores.

Pelo chapéu da patriarca anota, por outro lado, que é similar ao de arcebispo, enquanto aquele prelado da Corte Romana é similar a este abade. Para o chapéu do protonotário apostólico descreve que é preto, mas como os fios de cor violeta, em número de três por parte e, finalmente, para o chapéu de bispo, descreve que é verde, com apenas um nó e três ordens de borlas por lado, dispostas 1, 2 e 3, informando que nem sempre os bispos se contentaram com apenas seis borlas, não podendo ter 10 ou 15 como os arcebispos.

A Enciclopédia Católica, descrevendo o chapéu e as borlas, os quais ornamentados de dignidade, anota que o chapéu acima do escudo, sustentando o capacete dos brasões nobres, delimitando os ornamentos de jurisdição e de ofício. As borlas subindo nos lados do escudo disposto no cume.

Para os cardeais o chapéu – abaixo da “basílica” para o cardeal camerlengo – e as borlas são vermelhas e estas em número de trinta, dispostas quinze por parte, em cinco ordens de 1, 2, 3, 4, 5.

Para os patriarcas o chapéu é verde adornado com a fita da mesma cor e fios de ouro e as borlas em número de trinta com a mesma disposição que para o cardeal.

Para os arcebispos e bispos é verde com cordões e borlas da mesma cor, em número de vinte, dez por parte em quatro ordens; assim para o bispo, que não tem doze, seis por parte, sobre em ordens; para os protonotários participantes, sendo roxo com cordões e borlas escuras em número de doze, seis por parte, em três ordens; enquanto é preto com borlas pretas para os protonotários honorários.

Para os prelados de franjas – mordomo, vice-camerlengo, editor geral e tesoureiro geral da Rev. Câmera Apostólica – o chapéu é roxo com vinte borlas carmesins, dez por parte, sobre quatro ordens; é roxo para os prelados domésticos com doze borlas da mesma cor, seis por parte em três ordens; verdes para os regentes da chancelaria.

O Patriarca Ucraniano Cardeal Slypyj com o galero cardinalício.
Cardeal Silvio Oddi com o chapéu.
Papa João Paulo II com o chapéu.
O chapéu é preto para os camareiros e os capelões bordados com borlas roxas em número de doze, seis por parte em três ordens; pretos, de igual número e disposição, pelos abades, vigários gerais, arciprestes, vigários; em número de seis a duas ordens para os beneficiados – com fios de ouro, para os capelões militares e de Corte – e para os priores, os guardiões e os reitores.

Plenamente divisível, a afirmação de Bruno Bernard Heim (L’Araldica della Chiesa Cattolica, Città del Vaticano 2000.) que, anos atrás, sustenta que não foi fácil submeter os chapéus eclesiásticos a uma normativa, antes do Motu Próprio “Inter multiplices curas” do papa São Pio X, emanado de 21 de fevereiro de 1905.

Com este Motu Próprio, que regulamenta os hábitos e os emblemas dos protonotário e dos outros prelados da Cúria Romana, se prescreve que os protonotários Apostólicos de número ou participantes, numerosos e ad instar participantium “portam sobre o próprio brasão ou o aos próprios emblemas o chapéu com doze fios, seis por parte, mesmo de cor rubi, sem cruz nem mitra”; que os protonotários apostólicos titulares ou honorários “as próprias insígnia ou brasão podem sobrepor o chapéu, mas de cor preta apenas, com cordões e seis fios pendentes por lado, também na cor preta” e enfim, para os outros prelados da Cúria Romana, que “não podem nunca usar outra cor além do roxo no fio do barrete e na face do chapéu, que se distinguirá por ser feita com fios de ouro, e assim mesmo nos cordões e nos fios, e nos chapéu de sobrepor ao brasão, como dito no n. 18” e consequentemente, com doze fios, seis por parte.

É bom recordar que São Pio X portava na própria milícia o cume patriarcal de Veneza, sinal e símbolo de Sua proveniência da sede patriarcal de Veneza.

Retornando aos chapéus eclesiásticos, recordamos que raramente se encontram carregadas, aquelas figuras heráldicas, no campo do escudo.

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